terça-feira, 17 de março de 2015

HÃ? (COM A PARTE II)


Hermengarda era uma mulher muito inteligente. Ela sempre pensava muito pra falar, e mais ainda pra responder. Escrava da opinião alheia, afeita às gargalhadas, era sempre atenta ao que lhe cairia melhor. Servia-se a torto e a direito do indefectível “Hã?”, não por não entender o que o interlocutor lhe perguntava, mas para escolher, como se escolhe um vestido, a resposta que lhe conviria melhor.

A esse tipo de escolhas supérfluas tinha-se acostumado nossa heroína. Suas vestimentas estavam sempre destinadas a causar sensação, chamar a atenção para o belo desenho das suas formas, bastante curvilíneas, ainda que fosse uma coroa de quarenta anos, com trejeitos de adolescente mais que segura. Tão cheia de si e tão ciosa dos seus contornos, Hermengarda revelava sua falta de conteúdo. Não havia lugar nem espaço para os outros e para indagações de maior vulto no morno recôncavo da sua mente. Orgulhava-se de contar piadas, dramatizava, mas não sabia sorrir. Aliás, seus sorrisos eram de arame, de gesso, de concreto armado, de alguma coisa tensa que enrijecia os músculos da face.

Queria invariavelmente ser o centro das atenções, das conversas, ainda que pelas motivações mais pueris, como a sua seminudez física, sintoma, aliás, da sua seminudez espiritual. Ao exibir o corpo, Hermengarda escondia o vazio, a completa nudez da sua alma. Embora soubesse argumentar, divertia-se em mentir. Fingir era sua especialidade. Fazer tipo era o seu principal passatempo. Vestia-se com as ideias e os assuntos da moda.

Hermengarda era simpática – na verdade, bem menos do que imaginava –, mas daquela simpatia artificial e demagógica que ofende as pessoas de bem. Falava pelos cotovelos e parece mesmo ter sido criada ao léu da sorte, como um cavalo sem rédeas e sem disciplina. Gênio indomável, era capaz de usar os outros e a sua bela aparência para atingir seus objetivos, por mais insignificantes que fossem. A dissimulação era a sua grande arma, o seu grande trunfo, de que poucos se apercebiam. Tão acostumada a mentir aos outros, passou a mentir a si própria...

Hermengarda era infeliz. Tão infeliz, mas tão infeliz, que sequer se dava conta da sua infelicidade. A pirotecnia das frivolidades, o festival das aparências, as exterioridades, as extravagâncias de que este mundo está cheio, as luzes de Natal embriagavam-na, entorpeciam-na, cegavam-na, e, cega, bêbada, cambaleante, grogue, tudo lhe parecia bem. Suas risadas eram gargalhadas de bêbado. Seus comentários sobre os outros não atravessavam a epiderme, a superfície, a zona cutânea. Tinha aversão, ainda que inconsciente, a toda espécie de honestidade e autenticidade. A sinceridade parecia-lhe um muro, um murro, um golpe. A verdade soava-lhe dura, áspera, implacável. Seu mundo era o de holofotes imaginários que a acompanhavam por toda parte. Ela não andava; desfilava.

Mas um dia a coisa começou a mudar...

(COMEÇA A PARTE II)

A princípio, Hermengarda recebia apenas uns suavíssimos toques da graça. Ela começou a perceber Deus lhe falando de múltiplas e variadas formas. Em momentos vários, conversando com pessoas diferentes, parecia-lhe que algumas frases de seus interlocutores se destacavam do discurso, possuíam uma carga de significado mais profunda, vinham de mais longe. É como se aquelas pessoas, inconscientemente, emprestassem a sua boca a Deus, como se Deus se servisse delas para transmitir-lhe conselhos, avisos e mensagens. O mesmo acontecia, às vezes, quando lia algo nalgum livro ou via alguma frase solta nalgum lugar, que, a seu ver, assumia uma importância maior do que a inicialmente prevista. Tais frases ou pensamentos traziam em si dois sentidos: o imediato, querido pelo seu autor, e um mediato, oculto e profundo, sobrenatural e particularíssimo, que somente a ela dizia respeito.

Essa sensação começou a persegui-la. Muitas vezes, emocionava-se ao perceber ou imaginar perceber esse estranho tipo de comunicação, com aparência sobrenatural. Pode-se dizer que havia um princípio de sensibilidade e abertura da sua alma para captar e sentir os orvalhos celestes, as inspirações e afetos, que são o modo ordinário pelo qual Deus fala às almas. Nasciam impulsos de dedicar-se à oração e ao louvor. Surgiam desejos de silêncio, de um pouco de solidão, e de entregar-se totalmente à vontade de Deus.

Começou ela a entender que a vida não é tão divertida quanto parece. Que não é uma passarela. Na verdade, ela, a vida, não é nada divertida. É luta, é guerra, é combate entre dois mundos, no meio de nós, no nosso interior. Um dia, Hermengarda teve de deparar consigo mesma. E o choque, o choque foi brutal...

Parece que primeiro Deus atrai as pessoas a si, concedendo-lhes consolos, fazendo-lhes carícias no espírito. Mas num segundo momento é como se as abandonasse e lhes mostrasse o abismo da sua miséria. Surgem tentações de desespero. Nasce a sensação de que é impossível salvar-se e progredir na vida espiritual. Numa palavra: parece que todo o inferno combate contra aquela alma. Para dizer de uma outra forma: Deus se distancia um pouco da alma e a entrega às suas próprias forças a fim de que ela se conheça.

Pois vinha já Hermengarda frequentando a Igreja e procurando fazer suas orações diárias, pensando mesmo estar ajeitando a sua vida, quando lhe sobreveio o inesperado: o marido pede-lhe o divórcio. Hermengarda sentiu o chão sumir debaixo de seus pés. O mundo pareceu desabar sobre a sua cabeça. Tudo começou a perder sentido. Ela sentiu que não ficava pedra sobre pedra.

Começou então nossa heroína a questionar-se: “Agora que eu comecei a rezar me acontece isso?” “Nesse caso, é melhor não rezar!...” “Maldita hora em que eu inventei de assistir Missa!”

A verdade é que nossa bela personagem amava desordenadamente o marido, com um amor excessivo. Há quem diga que Deus é ciumento. Qualquer princípio de amor excessivo, que tenda ainda que vagamente a uma espécie de idolatria, ele vai cortando nos seus filhos. Talvez nós possamos interpretar os acontecimentos dessa forma. Mas também há outro modo de examinar os fatos.

Quando Hermengarda se casara ainda era uma pessoa mundana. Assim, o seu casamento fora gestado em um ambiente mundano. O seu marido fora escolhido com critérios mundanos. Ela progrediu na vida espiritual, mas seu marido, não. O choque entre dois mundos passou a existir não somente dentro dela, mas dentro da casa dela, embora isso talvez não fosse mais do que um reflexo do que se passava em seu interior. Havia dois mundos em combate dentro do seu lar: a cidade de Deus e a cidade terrestre.

Não quero aqui entrar em todos os detalhes sobre o que ocorreu depois com Hermengarda, mas o fato é que, com perseverança, ela obteve a conversão do marido, ele voltou ao lar, e ela prosseguiu na sua caminhada de fé, sem a doce ilusão de uma vida de delícias, isenta de sofrimentos. Ela continuou, com alegria, a sua vida de lutas, vencendo uma após a outra, e deixou definitivamente a passarela e os holofotes imaginários, caminhando a passos largos em direção à maturidade.

Paul Medeiros Krause
 

sexta-feira, 6 de março de 2015

O DUELO


Contaram-me que, no último dia do mês passado, a Praça Sete transformou-se, por alguns instantes, em um campo de batalha.

Eis o que houve:

Um físico e um advogado se esbarraram. O advogado, pessoa jurídica que era, beirava os dois metros de altura, sequer balançou; a pessoa física caiu* tonta na calçada.

Teve lugar, então, a desconsideração da pessoa jurídica: o físico bradou contra ela graves acusações e adjetivos. De imediato, o advogado retrucou:

-- Que presunção de inocência é essa?! Você obstaculizou o meu direito de ir e vir!

Ambos tinham personalidade.

-- Não és gente, és uma massa falida! -- esbravejou o vetorial varão, que, em seguida, arremessou um direito material contra a cabeça do causídico.

Diante da violência real, o jurisprudente tomou a medida cautelar cabível: afastou-se um pouco, para possibilitar uma ampla defesa. Cuspiu perto do nanico inflamado, agora em vivas chamas:

-- Tu me escarras, ó coisa cheia de vícios redibitórios?!

A turba engrossava. Os transeuntes procuravam conhecer a causa e julgar o mérito da questão.

O patrono, após chamar ao adversário de absolutamente incapaz, se jogou sobre ele.

Houve tamanha ferocidade e velocidade nos golpes subsequentes que nada mais se pôde distinguir.

Finda a batalha, o povo sentenciava: "Empate." Essa era a verdade formal. A verdade real fora bem outra: a pessoa jurídica massacrara o discípulo de Einstein.


MORAL: Nem sempre a pessoa física tem força física.


* Caiu: com aceleração constante, desprezando-se a resistência do ar.


(Texto originariamente publicado no Jornal "Voz Acadêmica", dos estudantes da Faculdade de Direito da UFMG, na edição de fevereiro de 1997)

ERA UMA VEZ DUAS HANS...


que nasceram
irmãs.
Uma chamava-se
Hamma, a outra,
Hanna.

As duas hans
queriam,
entre outros afãs,
se casar.

Mas, só havia
um sapo.
O sapo até
que parecia galã
para um sapo.
Seu nome era Kelsen.

Kelsen amava
outra han,
a Norma.

Norma era afim
de outro sapo, Frederico,
que, como todos os outros
anfíbios machos dali,
passaram daquele brejo para um melhor,
na guerra com os cem Kães.
Os Kães dilaceraram os sapos
e girinos (você sabe o que é verde parado
e vermelho mexendo-se?)

Kelsen sobreviveu
porque, habilíssimo com a funda,
com pedras agudas
perfurava os 'caputs' kaninos.

Naquele brejão,
sobraram
as hans e o Kelsen.

As duas hans irmãs,
diante da hecatombe,
tomaram suas trouxas
e saltaram pelo mundo.

Norma fez terapia
e se casou com Kelsen,
que envelheceu feliz
e comprou um Corsa 16 válvulas.


* Publicado originariamente no Jornal "Voz Acadêmica", dos estudantes da Faculdade de Direito da UFMG, na edição de março de 1996.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

"DIÁRIO DE UM PÁROCO DE ALDEIA"

 
Uma das minhas melhores leituras dos últimos e de todos os tempos é certamente "Diário de um pároco de aldeia", do grande escritor francês, católico, Georges Bernanos, que curiosamente viveu um tempo no Brasil, na cidade de Barbacena, Minas Gerais, distante 170 km de Belo Horizonte. O livro, da É Realizações, conta com a primorosa tradução de Edgar de Godói da Mata Machado, saudoso professor de Introdução ao Estudo de Direito, neotomista, da Faculdade de Direito da UFMG, que possui um primoroso "Elementos de Teoria Geral do Direito".
 
Muito me agradaram as figuras utilizadas por Bernanos e seu estilo ácido, sincero e preciso. O seu diagnóstico sobre o cansaço, a mediocridade e o tédio do mundo burguês parece-me único. Não creio ter lido ainda coisa tão milimetricamente acertada.
 
Outra obra prima de Bernanos é o famoso "Sob o sol de Satã", que já adquiri, mas ainda não comecei a ler. Preferi seguir por "Joana, relapsa e santa", menorzinho, um opúsculo.
 
Há no "Diário" trechos verdadeiramente antológicos, impagáveis, terrivelmente precisos. Deixo-lhes uma pequena amostra, para abrir-lhes o apetite. Assim começa, magistralmente, a meu sentir:
 
"Minha paróquia é uma paróquia como as outras. Todas as paróquias se parecem. As paróquias de hoje, naturalmente. Ontem, eu dizia ao vigário de Norenfontes: o bem e o mal devem equilibrar-se numa paróquia, só que o centro de gravidade é colocado embaixo, muito embaixo. Ou, se se prefere, um e outro se sobrepõem, sem misturarem-se, como dois líquidos de densidade diferente. O padre riu em minha cara. É um bom cura, muito benevolente, muito paternal e que passa mesmo, no arcebispado, por um espírito forte, um tanto perigoso. Suas troças fazem a alegria dos presbitérios e ele as apoia com um olhar que desejaria vivo, mas que eu acho, no fundo, tão gasto, tão cansado, que me dá vontade de chorar.
 
Minha paróquia é devorada pelo tédio, eis a palavra. Como tantas outras paróquias! O tédio as devora sob nossa vista e nada podemos fazer. Um dia, talvez, o contágio tomará conta de nós, descobriremos em nós esse câncer. Pode-se viver muito tempo com isso.
 
A ideia me veio, ontem, na estrada. Caía uma dessas chuvas finas que nos penetram os pulmões inteiros e descem até o ventre. Do lado de Saint-Waast, a aldeia surgiu-me bruscamente, tão confusa, tão miserável sob o horrível céu de novembro! Vapores de água subiam, como fumo, de todas as partes e ela parecia ter-se deitado, ali, na relva húmida, como um pobre animal cansado. Que coisa pequena, uma aldeia! E essa aldeia era minha paróquia. Era minha paróquia e eu nada podia fazer por ela; via-a tristemente mergulhar na noite, desaparecer... Mais alguns momentos e já não enxergava minha paróquia. Nunca havia sentido tão cruelmente sua solidão e a minha. Pensava no gado que ouvia mugir em meio à cerração e que o vaqueirinho, de volta da escola, maleta debaixo do braço, ia conduzindo, através do pasto úmido, para o estábulo quente, cheiroso... E ela, a pequena aldeia, parecia aguardar também -- sem grande esperança --, depois de tantas noites passadas na lama, um dono que a conduzisse para algum lugar improvável, algum inimaginável asilo.
 
Oh! bem sei que tudo isso são ideias loucas, que não posso tomá-las inteiramente a sério, sonhos apenas!... As aldeias não se levantam, à voz de um aluno de grupo escolar, como os bois. Não importa! Na tarde de ontem, acho que um santo a tinha chamado."
 
Aqui, caro leitor, logo na sequência, vem o diagnóstico terrível, o mais perfeito que julgo ter lido:
 
"Dizia a mim mesmo que o mundo é devorado pelo tédio. Naturalmente, é preciso refletir um pouco para dar-se conta disso; não é fato que se apreenda assim, de relance. É uma espécie de pó. A gente vai e volta sem o ver, respira-o, come-o, bebe-o; é tão tênue, tão fino, que nem ao menos range sob os dentes. Mas se a gente para um segundo, ei-lo que cobre nosso rosto, nossa mão. Temos de nos sacudir, sem cessar, para libertar-nos dessa chuva de cinza. Daí por que o mundo tanto se agita."
 
Prossegue o formidável autor:
 
"Dir-se-á talvez que, há muito, o mundo se familiarizou com o tédio, que o tédio é a verdadeira condição do homem. É possível que a semente espalhada por toda a parte germinasse, aqui e ali, em terreno favorável. Pergunto, porém, se os homens conheceram algum dia esse contágio do tédio, essa lepra! Um desespero malogrado, uma forma torpe de desespero que é, sem dúvida, como que a fermentação de um cristianismo desfigurado."
 
Fica aqui a dica ao amável leitor, recomendando-lhe que não demore a dar-se o prazer da leitura.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

DEUS AINDA FALA POR PARÁBOLAS


O evangelho de ontem, memória de Santo Tomás de Aquino, foi o do semeador que saiu a semear. São Marcos acrescenta que, após ter terminado de contar a parábola, arrematando com “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”, quando Jesus ficou sozinho, os que estavam com Ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas, pois Ele também havia contado outras. Ao que o Senhor respondeu: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”.

Certamente, não se trata aqui de má vontade de Deus para com os pecadores. Não é que Ele eleja uns predestinados para salvar, e outros para condenar. Se assim fosse, não haveria sentido na advertência: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. O evangelho trata da resistência do coração humano à voz de Deus, que, por sua vez, não atira pérolas aos porcos, exigindo certa docilidade, boa vontade, receptividade dos seus ouvintes. Cuida-se aqui do espantoso fenômeno da resistência do homem aos apelos da graça, do fechamento do coração, da surdez da alma. Quanto mais o homem está aberto à voz de Deus, mais Deus se lhe revela. Ao dizer “quem tem ouvidos, ouça”, Cristo se refere a uma espécie de sentido ou capacidade interior do homem para compreender a Sua palavra. Ele convida, pois, o homem a aguçar o seu ouvido interior, o ouvido da alma, para poder ouvir a Sua voz.

Há outros pontos importantes no evangelho de ontem. Está dito que alguns ficaram com Jesus e os Doze, depois de a multidão ter ido embora. Penso que não seria absurdo imaginar que esses que ficaram com Cristo e com os Doze, em maior intimidade, podem representar aqueles que pertencem efetivamente à Igreja, aqueles que estão em comunhão com Cristo e com a Igreja. Certamente, na plateia mais ampla, no meio da multidão, poderia haver muitos curiosos ou interesseiros, atraídos pelo desejo de ver ou receber um milagre, ou mesmo inimigos, atentos a eventual 'deslize' do Salvador. Não há dúvida de que na grande plateia havia ouvintes mal dispostos, resistentes à graça de Deus.

Tendo presente que a oração nada mais é do que um diálogo com Deus, uma conversa amorosa e sincera com o Criador, pode-se entender também que os que ficaram com Cristo e com os Doze são as pessoas de vida de oração, as pessoas que rezam. Ora, que é a pergunta que dirigiram a Cristo senão uma oração? Que é a oração senão uma conversa com Cristo? Quantas vezes nas nossas orações diárias também não interpelamos a Deus, dizendo: “explica-nos esses acontecimentos, não estou conseguindo entendê-los”, "qual a razão desse sofrimento, dessa tragédia ou dessa pequena contrariedade?"? Quantas vezes não colocamos aos pés do Senhor, diante dos anjos e dos santos, diante dos Doze!, as nossas perplexidades, as nossas dúvidas, a nossa dificuldade de entender a Sua vontade?

Partindo dessas considerações podemos concluir: quem não desenvolve o seu ouvido interior, quem não procura estar em comunhão com Cristo e com a Igreja, quem não tem intimidade com Ele pela oração, quem não O interpela em diálogos amorosos e sinceros, dificilmente ouvirá a voz de Deus. Ou melhor, ouvirá, mas não entenderá.

É bem por isso ser tão comum ouvirmos dizer: “Deus não fala comigo. Ele parece estar mudo ou longe.” Não! Deus não está mudo. Nem está longe. Ele fala a todo tempo. Mas também hoje, e não somente a dois mil anos atrás, Ele caminha em nosso meio, realiza curas, ressuscita mortos, expulsa demônios e fala por meio de parábolas, isto é, de uma forma que não é evidente de per si. Somente os que procuram cultivar a intimidade com Ele serão convidados a atravessar o aparente muro da falta de sentido das Suas palavras. Nem todos são capazes de compreender os acontecimentos da vida, o modo de Deus falar ao homem. Ainda hoje Cristo repete: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
 

Paul Medeiros Krause

sábado, 24 de janeiro de 2015

PÁGINA DO GUSTAVO CORÇÃO NO FACEBOOK


Prezado amigo seguidor ou visitador ocasional deste blog,

Administro também a página "Gustavo Corção" no Facebook, embora ali eu não poste apenas textos do grande escritor carioca, mas também outras coisas que me parecem estar de acordo com o seu pensamento.

Se lhe parecer bem, acompanhe "Gustavo Corção" no Facebook.

Um abraço,

Paul

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

SOBRE O RESPEITO À EUCARISTIA


Diante de tantos abusos que se têm visto, verdadeiras profanações e sacrilégios, contra o Augustíssimo Sacramento da Eucaristia, resolvi divulgar algumas normas redigidas pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e aprovadas pelo Papa João Paulo II. É insuportável ver pessoas assistirem à Missa e, pior!, comungarem, mascando chicletes, seminuas ou batendo papo como se estivessem sentadas num banco de praça.
 
Disse-me uma vez um confessor meu: "qualquer desrespeito para com a Eucaristia é mais grave do que uma guerra, por causa da dignidade da Pessoa ofendida. Na guerra, ofendem-se homens. No desrespeito à Eucaristia ofende-se diretamente a Deus".
 
Aí vão as normas:
 
"90. 'Convém que os fiéis comunguem de joelhos ou em pé, de acordo com o que foi estabelecido pela Conferência dos Bispos' e confirmado pela Sé Apostólica. 'Quando, porém, comungam em pé, recomenda-se que, antes de receber o sacramento, façam a devida reverência, a ser estabelecida pelas próprias normas'.
 
91. Na distribuição da santa comunhão, recorde-se de que 'os ministros sagrados não podem negar os sacramentos àqueles que os pedirem oportunamente, que estiverem devidamente dispostos e que pelo direito não forem proibidos de recebê-los'. Portanto, todo católico batizado, que não esteja impedido pelo direito [obviamente que se exige encontrar-se em estado de graça, isto é, em comunhão com Deus, sem pecado mortal], deve ser admitido à sagrada comunhão. Assim sendo, não é lícito negar a santa comunhão a um fiel pela simples razão, por exemplo, de que ele queira receber a Eucaristia de joelhos ou em pé.
 
92. Embora todo fiel tenha sempre o direito de receber, à sua escolha, a santa comunhão na boca, nas regiões onde a Conferência dos Bispos, com a confirmação da Sé Apostólica, permitiu, se um comungante quiser receber o sacramento na mão, seja-lhe distribuída a sagrada hóstia. Entretanto, cuide-se, com especial atenção, para que o comungante tome a hóstia logo, diante do ministro, de tal modo que ninguém se afaste levando na mão as espécies eucarísticas. Se houver perigo de profanação, não deve ser distribuída a santa comunhão na mão dos fiéis.
 
93. É preciso que se mantenha o uso da patena para a comunhão dos fiéis, a fim de evitar que a sagrada hóstia ou algum fragmento dela caia.
 
94. Não é permitido aos fiéis 'pegarem por si e muito menos passarem entre eles de mão em mão' a sagrada hóstia ou o cálice sagrado. Além disso, a esse respeito, deve ser abolido o abuso de os esposos, durante a missa nupcial, distribuírem reciprocamente a santa comunhão.
 
95. O fiel leigo 'que já recebeu a santíssima Eucaristia, pode recebê-la novamente no mesmo dia, somente na celebração eucarística em que participa, salvo a prescrição do cân. 921, § 2'.
 
96. Deve ser desaprovado o uso de distribuir, contrariamente às prescrições dos livros litúrgicos, à maneira de comunhão, durante a celebração da santa missa ou antes dela, hóstias não-consagradas ou qualquer outro material comestível ou não. De fato, tal uso não se concilia com a tradição do rito romano e traz consigo o risco de gerar confusão entre os fiéis quanto à doutrina eucarística da Igreja. Se em alguns lugares vigora, por concessão, o costume particular de benzer o pão e distribuí-lo após a missa, convém fazer com grande cuidado uma correta catequese sobre tal gesto. Por outro lado, não devem ser introduzidos costumes semelhantes, nem jamais utilizadas para tal escopo hóstias não-consagradas.
 
[...]
 
104. Não seja permitido que o comungante molhe por si mesmo a hóstia no cálice, nem que receba na mão a hóstia molhada. Que a hóstia para a intinção seja feita de matéria válida e seja consagrada, excluindo-se totalmente o uso de pão não-consagrado ou feito de outra matéria.
 
[...]
 
106. Entretanto, abstenha-se de passar o Sangue de Cristo de um cálice para outro após a consagração, para evitar qualquer coisa que possa ser desrespeitosa a tão grande mistério. Para receber o Sangue do Senhor não se usem em nenhum caso canecas, crateras ou outras vasilhas não integralmente correspondentes às normas estabelecidas.
 
107. Segundo a norma estabelecida pelos cânones, 'quem joga fora as espécies consagradas ou as subtrai ou conserva para fim sacrílego incorre em excomunhão 'latae sententiae' reservada à Sé Apostólica; além disso, o clérigo pode ser punido com outra pena, não excluída a demissão do estado clerical'. Deve ser considerada pertencente a esse caso qualquer ação voluntária e gravemente voltada para desprezar as sagradas espécies. Portanto, se alguém age contra as supracitadas normas, jogando, por exemplo, as sagradas espécies no sacrário num lugar indigno ou no chão, incorre nas penas estabelecidas. Além disso, tenha-se presente, no final da distribuição da santa comunhão durante a celebração da missa, que devem ser observadas as prescrições do Missal Romano e, sobretudo, que aquilo que restar eventualmente do Sangue de Cristo deve ser imediata e inteiramente consumido pelo sacerdote ou, segundo as normas, por outro ministro, enquanto as hóstias consagradas que sobrarem devem ser imediatamente consumidas no altar pelo sacerdote ou levadas a um lugar apropriado, destinado para conservar a Eucaristia."

 (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, "Instrução 'Redemptionis Sacramentum': Sobre alguns aspectos que se deve observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia", 25 de março de 2004)