terça-feira, 11 de março de 2025

A IMPORTÂNCIA DA HUMILDADE NO SERVIÇO DE DEUS

Caros amigos, foi-me pedido para falar sobre a importância da humildade no serviço a Deus. Mas sendo a humildade uma virtude tão essencial, tão basilar, peço licença para tratar dela de um modo mais amplo. Acredito que podemos refletir sobre a importância da humildade na vida espiritual de todo o cristão. A observação que eu faria é que os que estão no serviço de Deus, os que são consagrados a Deus de alguma forma, devem ser ainda mais humildes do que os outros, para receberem mais graça, correspondendo à sua missão, porque serão mais tentados.


Não somos pelagianos. O pelagianismo foi uma heresia, combatida por Santo Agostinho, que dizia que podemos progredir moralmente, progredir na vida espiritual, sem o auxílio da graça de Deus, por nosso próprio esforço. Isso é impossível! Na verdade, não há vida espiritual sem humildade. Assim como o orgulho é a raiz, é a origem, é o princípio de todo pecado, causa da queda de Satanás e dos nossos primeiros pais, a humildade, sua virtude contrária, é a base, o fundamento da vida espiritual: é o alicerce de todas as outras virtudes.


A palavra “humildade” vem de “húmus”, que quer dizer terra. Ela significa que devemos nos inclinar para a terra, reconhecendo que somos feitos de pó.


Dizem os autores espirituais que as virtudes são como os dedos das mãos; estão interligadas. Quando uma virtude cresce, todas as outras crescem juntas, como os dedos de uma mão, que ficaria deformada se um dedo crescesse sozinho. Se não crescemos na humildade, não crescemos verdadeiramente nas outras virtudes.


Foi pelo orgulho que Lúcifer, de mais alto dos anjos, tornou-se o pior dos demônios. Foi pelo orgulho dos nossos primeiros pais, querendo tornar-se iguais a Deus, que o pecado, a morte, a dor, as doenças físicas e espirituais entraram no mundo, como também ocorreu para os seres humanos a perda dos dons preternaturais, isto é, que estão acima da natureza humana, como o da ciência infusa e o domínio das paixões, além da imortalidade e impassibilidade já aludidas.


O orgulho é como uma venda posta nos olhos da alma. É uma falsidade que impede de contemplar a Deus. É uma visão distorcida e aumentada das nossas qualidades e dos defeitos dos outros. Lúcifer, sendo mera criatura e, como tal, sendo infinitamente inferior a Deus, encantou-se consigo mesmo, julgou-se infinitamente melhor do que era, quis ser igual a Deus e disse: “não servirei [a Deus]”. O que levou o humilde Miguel a dizer: “Quem é como Deus?” Como o orgulho é uma visão falsa da realidade, Deus não revela os seus segredos aos soberbos, mas aos que se fazem pequeninos, os humildes.


Assim, nós percebemos quanta razão tinha Santa Teresa de Jesus quando fazia, no Caminho de Perfeição, a sua célebre definição: “a humildade é a verdade”. Em outras palavras, a humildade é uma visão correta, verdadeira, da grandeza de Deus e do nosso nada. Devemos nos lembrar sempre de que Deus, que é tudo e é fonte de tudo, nos criou do nada e nos mantém constantemente no ser, na existência. Se não fosse assim, voltaríamos ao nada. Muitos erroneamente pensam que Deus nos criou e depois não faz mais nada. Não é assim. Ele nos conserva continuamente no ser, na existência. Não fosse assim, voltaríamos ao nada de onde viemos. É o que nos ensina Santo Tomás.


Um dos escritores de que eu mais gosto é Fiódor Dostoiévski. Ele é famoso por conhecer profundamente a alma humana, a psicologia humana. Ele é um fino psicólogo. Esse grande autor conseguia descrever com muita precisão e coerência os perfis psicológicos de seus personagens. E uma das coisas que eu mais gostei de ler em seus livros é a descrição que ele faz de alguns personagens: “fazia uma ideia exagerada das próprias virtudes e qualidades”. Isso chama-se orgulho. É o oposto da humildade.


A humildade, ao contrário do que muitos pensam, não é uma ideia exagerada dos próprios defeitos, ou diminuída das próprias virtudes. A humildade, como diz a grande Reformadora do Carmelo, é a verdade. Bem por isso, São Paulo pôde dizer, mantendo a humildade: “combati o bom combate. Completei a carreira. Guardei a fé. Sou o último dos apóstolos, nem mereço ser chamado apóstolo, mas trabalhei mais do que todos”. A humildade, repito, é a verdade.


Vejamos a excelência da humildade. Eu diria que é a virtude que mais atrai a Deus. Ele escolheu para serem seus pais as duas pessoas mais humildes da história, Maria e José.


Para resgatar a humanidade, Deus seguiu o caminho inverso do que homem seguiu para pecar. O homem caiu pelo orgulho. Deus nos resgatou, nos elevou pela humildade. E a renovação da obra de Deus é superior à inocência original do homem.


O homem pecou querendo tornar-se igual a Deus. Deus nos salvou fazendo-se homem, rebaixando-se. O rebaixamento de Deus é muito maior do que um homem tornar-se um verme, pois entre Deus e nós há uma distância infinita, que não há entre o homem e um verme.


Um anjo apareceu a Eva convidando-a a desobedecer a Deus e a levar Adão a se tornar como Deus. Um anjo apareceu a Maria, convidando-a a obedecer a Deus, ajudando o Novo Adão, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a rebaixar-se, fazendo-se homem. Ela deu à humanidade o verdadeiro fruto da árvore da Ciência do Bem e do Mal.


Ao encarnar-se, humilhando-se Ele mesmo em primeiro lugar, Deus escolheu os santos mais humildes para serem seus pais: José e Maria. Eles devem ser o nosso modelo. Reparemos como eles não fazem nada para aparecer, para se distinguir, para singularizar-se. Os autores espirituais criticam fortemente a singularidade. Assim devemos ser: discretos, sem chamar a atenção, sem piedades chamativas, preferindo as devoções mais comuns do que as mais chamativas e especiais.


Só Cristo pode dizer de Si mesmo: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Todos os que dizem ser humildes ou que querem ser louvados por sua humildade são orgulhosos refinados, disfarçados, de um orgulho ainda mais perverso. Quando uma pessoa se considera humilde, no mesmo instante perdeu a humildade, e o seu edifício espiritual desaba.


Conta-se que Dom Bosco teve uma visão ou sonho sobrenatural em que ele via os demônios debatendo no inferno sobre como tentariam seus filhos espirituais do Oratório Festivo. Eles examinaram vários pontos, concluindo que por estes fracassariam. Finalmente resolveram tentar os meninos pela soberba. E Dom Bosco despertou assustado...


São Francisco de Sales possui uma máxima muito interessante. Ele diz que não existe pessoa casta que não seja humilde. Esse grande doutor da Igreja entende impossível existir um orgulhoso casto, porque Deus se afasta e permite que o orgulhoso caia nos pecados mais vergonhosos, para abater e corrigir o seu orgulho.


Vejamos como é interessante o que Jesus falou: seu coração é manso e humilde. A humildade e a mansidão são virtudes conexas. Os orgulhosos são impacientes, são violentos. Quantas brigas de trânsito por impaciência, por orgulho, por pequenas bagatelas! Quanta intolerância quanto aos defeitos dos outros! Quanta falta de respeito à dignidade e ao direito dos outros! O orgulhoso não tolera os defeitos dos outros, mas é condescendente com os próprios. A maioria das brigas de trânsito se dá por orgulho: orgulho e violência. Foi por orgulho que Caim, ciumento, matou Abel. O diabo é homicida desde o princípio.


Já tive oportunidade de dizer que as virtudes morais podem ser adquiridas ou infusas. Só possui as virtudes morais infusas quem está em estado de graça. As virtudes morais adquiridas são instáveis e não estão conectadas umas às outras, às virtudes vizinhas. Para ter uma verdadeira humildade, a pessoa precisa estar em estado de graça e possuir a virtude moral infusa da humildade, que é uma subespécie da temperança, assim como a mansidão e a castidade. A temperança está ligada ainda ao dom do Espírito Santo do Temor de Deus. Somente quem está em estado de graça possui os dons do Espírito Santo. Eis as conexões todas da virtude moral da humildade em quem está saudável espiritualmente.


Só é humilde quem ama a humilhação, quem aceita ser humilhado, quem reconhece que, por seus pecados, todo desprezo e humilhação do mundo são pouco. Há indivíduos que gostam de se fazerem de humildes, de falar mal de si mesmos para serem corrigidos ou elogiados, mas não suportam ser criticados pelos outros, só por si mesmos. Também não toleram os defeitos dos outros, são intransigentes com os defeitos alheios. Isso é falta de humildade e refinada soberba.


Para pôr concretamente em prática a humildade eu recomendo o livro do Papa Leão XIII, “A prática da humildade”. Quantas lições preciosas há nesse livro! Uma das medidas que ele mais recomenda é evitar toda singularidade. Devemos procurar sumir na multidão, não chamar atenção para nada, estar mais abertos a aprender do que a ensinar, nunca adotar ares professorais, exalando autoridade. Há muitas outras lições práticas nesse livro, que eu gostaria de recomendar muito!



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

20 DE FEVEREIRO: ANIVERSÁRIO DA ELEIÇÃO DE LEÃO XIII


Gioacchino Pecci, que depois tomou o nome de Leão XIII, foi um dos maiores e mais completos papas da história. Com maestria, preparou a Igreja para o século XX e para os problemas que antevira com genial intuição e precisão. Não é de admirar que um papa tão bem dotado e completo, tão equilibrado em todos os sentidos, tenha atuado em todos os campos possíveis: espiritual, social, político e filosófico. O mesmo papa que ressuscitou Santo Tomás de Aquino, na Encíclica 'Aeterni Patris' (1879), despertando intelectuais do mundo inteiro para o tomismo, seguindo-se uma avalanche de conversões em todas as partes, é chamado o Papa do Rosário, pois escreveu mais de quinze documentos sobre o rosário, sendo quase uma dezena de encíclicas sobre este tema.

Foi o Papa Leão XIII que redigiu as famosas orações a São Miguel Arcanjo e a São José, confiando a eles a proteção da Igreja nos tempos que viriam. Foi ele que fundou a Doutrina Social da Igreja, com a celebérrima encíclica "Rerum Novarum" ('Das coisas novas'), condenando as injustiças da sociedade industrial e do liberalismo, dando origem ao Direito do Trabalho. Não há Manual de Direito do Trabalho que não cite a "Rerum Novarum" como uma das fontes desse ramo do direito.

Muito tempo antes da teologia da libertação, que arrota sua falsa preocupação pelo pobres, o Papa Leão XIII praticamente criou, inaugurou, o Direito do Trabalho.

Quando fora bispo de Perugia, Gioacchino Pecci chegou a fundar um banco para oferecer empréstimos aos pobres com juros irrisórios. Eis, pois, um grandíssimo papa, de cuja grandeza talvez não tenhamos consciência!

Pois esse mesmo sucessor de Pedro quis lançar os fundamentos de tudo, quis começar pelo princípio de tudo, aprofundando-se na indispensável virtude da humildade. Quando bispo em Perugia, Gioacchino Pecci mandou publicar um livro intitulado "A prática da humildade". Deste precioso livro, que se acredita ser de sua autoria, ou pelo menos ter sido por ele coligido e organizado, com base em opúsculo da época, colhem-se preciosas informações sobre a vida do Papa Leão XIII. Cito a preciosa edição da Cultor de Livros, em parceria com a Editora Cléofas.

"O futuro Papa Leão XIII nasceu com o nome de Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci no dia 2 de março de 1810, em Carpineto Romano, município a 60 km de Roma e na época possessão francesa. Foi o sexto de sete filhos, e os seus pais, os condes Ludovico Pecci e Anna Prosperi Buzzi descendiam de uma estirpe nobre com raízes em Siena. Embora não fossem pobres, a casa já havia visto dias mais gloriosos. O catolicismo, no entanto, permanecia vivo no seio da família, e os pais de Gioacchino não tiveram dúvidas em confiar a educação do filho aos jesuítas do colégio de Viterbo e, mais tarde, em Roma.

Sem dúvida, foram os jesuítas a despertar no jovem o amor pela lógica e pelas humanidades e a preferência pela teologia de Santo Tomás de Aquino, que já como Leão XIII fizera tanto por restabelecer com sua encíclica 'Aeterni Patris' (1879). Foi ainda durante os seus anos de estudo que Gioacchino sentira a vocação para o sacerdócio. Apesar dos anos de convivência com os jesuítas e do fato de seu próprio irmão, Giuseppe, ser membro da ordem [da companhia], o jovem viu que seu caminho era outro: entrou no seminário de Viterbo e foi ordenado sacerdote diocesano em 1837.

O gênio de Gioacchino permitiu que conciliasse os estudos eclesiásticos com o Direito e a Diplomacia. A fama de seu talento espalhara-se entre os cardeais da Igreja. Depois de um cargo de administrador na diocese de Roma, o jovem sacerdote foi enviado já em 1843 à Bélgica para exercer o cargo de núncio. Lá, fez-se querido pelo povo graças à sua habilidade diplomática, à sua bondade e à sua constante preocupação pelos problemas dos mais necessitados naqueles tempos confusos na Europa.

[...]

No dia 20 de fevereiro do mesmo ano [1878], Leão XIII saiu eleito o 256.o papa da Igreja Católica. Já bem entrado em anos - contava com quase setenta - poucos talvez pudessem prever que lideraria a Igreja de maneira sábia e firme por 24 anos (o terceiro maior pontificado da história; atrás do seu predecessor Pio XI e do Papa João Paulo II)." (Gioacchino Pecci, Leão XIII, "A prática da humildade", trecho sobre o autor)

Louvemos e bendigamos a Deus pelo extraordinário dom que foi e continua sendo para a Igreja e para o mundo o imenso Papa Leão XIII!


 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

O NOBRE JOGO DE XADREZ (GUSTAVO CORÇÃO)


Quando despedi-me do Viana senti que carregava um vago sentimento de culpa. Então, enquanto transcorria na Islândia a disputa do campeonato do mundo, entre um americano e um soviético, como podia eu andar pelas ruas ruminando ideias alheias aos reis, damas, cavalheiros e bispos do xadrez? Corri ao jornaleiro, na ânsia de me inserir no momento histórico enxadrístico.

 

O leitor, apesar do retrato exageradamente desatualizado que publicam, certamente sabe que sou mais velho do que este agonizante e desvairado século; mas talvez não saiba que uma das minhas muitas e ardentes paixões foi o nobre jogo de xadrez. E aqui repito a ênfase do título, em homenagem ao autor do primeiro livro em que estudei, aos treze ou catorze anos, os rudimentos do jogo que François André Danican-Philidor sempre chamava de ‘le noble jeu d’echecs’. Como em geral se começam todas as coisas, comecei em casa vencendo mãe, padrasto, irmãos e agregados. Depois, já na Escola Politécnica, descobri o Clube de Engenharia e conheci os mestres da época: Caldas Viana, Raul de Castro, Barbosa de Oliveira, cujos sestros nos levaram a dizer que ele rocava os olhos, e João Mendes Júnior que me ajudou a galgar os primeiros degraus da carreira. Cheguei a jogar sem partido com a primeira turma, e por volta de 1920, se não me falha a memória, teria sido campeão do Brasil se não tivesse abandonado um torneio em que já tinha quinze vitórias sem nenhuma derrota. Justamente quando já poderia dizer, como Corregio, ‘anch’io sono pittore’, isto é, enxadrista, deixei o xadrez e o clube. Ouvi nestes dias várias histórias das explosões temperamentais de Bob Fischer, que me parecem mais humanas do que a gélida placidez do adversário soviético que, antes de qualquer manifestação de mau humor, tem de consultar Moscou.

 

O leitor, se não é enxadrista, talvez não saiba que o nobre xadrez é o mais apaixonante e enervante de todos os jogos. Poderíamos encher uma biblioteca com enciclopédias de agastamentos, reclamações e brigas em torno desse jogo aparentemente inventado por e para homens fleumáticos.

 

E explica-se bem a força de exasperação escondida naquelas figuras imóveis, e naqueles jogadores de fisionomias impenetráveis. O xadrez é o único jogo onde cada um joga numa total solidão, e não pode contar com nenhum fator de sorte, a não ser num eventual e discreto derrame no parceiro. O próprio jogo, em si mesmo, é o menos físico dos jogos, o menos aleatório. Cada jogador é senhor absoluto de suas peças. É uma espécie de deus defrontado por outro deus. E não há, para o homem, situação mais inconfortável. A vida, a larga e espaçosa vida, nos seus piores momentos sempre nos proporciona ao menos esta saída: a de responsabilizar o irmão, a mulher, o sogro, o vizinho e as coisas irracionais, e até as inanimadas, por nossos insucessos. A culpa é de... e por esta fresta descarregamos nossas tensões internas.

 

O xadrez não permite esse bálsamo. Implacavelmente sou eu mesmo, dentro de todo o universo, o único culpado de ter jogado o lance incorreto C5B em vez de B3C. Não posso culpar ninguém, não posso queixar-me de nada. Não posso sequer insinuar uma perfídia. Nada. Implacavelmente, o tabuleiro de xadrez me acorrenta na solidão total de uma derrota tecida por minhas próprias mãos.

 

Além disso, como se não bastasse tal peculiaridade, o jogo de xadrez exige do bom jogador uma atitude ainda mas tensa e mais dificilmente tolerável: diante de suas peças arrumadas na posição inicial o jogador deve defender-se de qualquer desejo próximo de ganhar. Ele deverá começar seu jogo: P4D, C3BR etc. etc... sem o menor desejo de ganhar. Que objetivo têm então os lances do jogador? Simplesmente o de potencializar as peças em seu conjunto posicional. Ele joga sempre com esse único e depurado objetivo, até perceber que o adversário, no seu desenvolvimento, produziu um ponto fraco, indicador de todo um plano errôneo, ou isoladamente fraco. Deste momento em diante o jogador deixa de ser um organizador, um capitalizador, e se transforma num lutador, ou num caçador que, com crueldade crescente, persegue a fraqueza, para transformá-la em ruína total do inimigo. Paralelamente, e na mesma proporção que cresce a agressividade do jogador que sente os pontos fracos do adversário, cresce neste a convergência de todos os esforços na neutralização daquela ferida. Um quer matar, o outro quer sobreviver. E, em torno de um tabuleiro com bonequinhos de madeira, dois homens feitos à imagem e semelhança de Deus realizam a máxima concentração de desejo e atenção, como se ali, naquele momento, estivessem em jogo a honra, a saúde, a felicidade e a vida eterna.

 

O jogo de xadrez é uma experiência que nos permite aquilatar a terrível e maravilhosa capacidade que tem o homem de buscar a perfeição máxima numa coisa evidentemente irrelevante. Será uma loucura o que fazem Fischer e Spassky na Islândia? Não. A seu modo, e em estilo desconcertante, ambos glorificam o homem, e por conseguinte glorificam a Deus.

 

 

(Gustavo Corção)

terça-feira, 27 de agosto de 2024

SANTA MÔNICA


No dia 27 de agosto, a Igreja comemora a Festa de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho.

A essa santa mulher, às suas insistentes orações, devemos esse grande dom que foi para a Igreja e para a humanidade Santo Agostinho, que influenciou e ainda influencia incrivelmente a Civilização Ocidental.

Sejamos agradecidos à Santa Mônica. E que ela interceda por nós, pela nossa conversão e por todos os psicólogos, no seu dia.


quarta-feira, 26 de junho de 2024

'LIVE' SOBRE O SÉCULO DO NADA

Caro leitor, tive a honra de ser convidado pelo "Cultura e Fé Católica" para uma 'live' sobre o último livro escrito pelo Corção, por sinal, um livraço!, que analisa com pormenores, erudição e profundidade a crise do mundo e da Igreja nos tempos atuais, atacados por sinistrite aguda. Trata-se do enciclopédico "O século do nada", recentemente reeditado pela Vide Editorial.

Espero que goste. Se gostar, divulgue! Segue-se o link:




quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

É DRAMÁTICA A SITUAÇÃO DO BRASIL

Qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensatez, que não esteja completamente alienada, sabe que o Brasil vive momentos dramáticos. Vivemos em plena ditadura de esquerda, inclusive com polícia de Estado, perseguindo opositores. As instituições estão carcomidas, dominadas, possessas. Onde nossos bispos nos meteram, apoiando a esquerda durante décadas, ignorando completamente o Magistério da Igreja? Aonde nos leva a cumplicidade ou covardia dos nossos bispos? Aonde nos leva a militância da CNBB? A função do pastor é defender o rebanho. No Brasil, os pastores jogaram as ovelhas na boca dos lobos. Proponho que todas as cidades do Brasil se empenhem em organizar grupos que rezem o rosário completo, pelo menos uma vez na semana, de preferência aos sábados, dia consagrado a Nossa Senhora. Precisamos criar grupos e mais grupos que rezem o rosário. O rosário é nossa única arma diante dos Golias que nos ameaçam de todos os lados. Imploremos a ajuda Daquela que pode e quer nos salvar! Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós! São Pedro de Alcântara, padroeiro do Brasil, rogai por nós!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

AS DUAS POBREZAS E AS DUAS FORÇAS

Gustavo Corção Braga

"Sim, meu padrasto. Nesse tempo minha mãe se casara de novo com um personagem fabuloso que os filhos haviam descoberto nas matas do Trapicheiro. Era uma espécie de guarda-florestal que vivia numa caverna e usava barbas terríveis, atrás de cuja sombra brilhavam olhos de mel e escondia-se o melhor coração das redondezas. Para nós ele era uma espécie de meio-termo de entre o Capitão Nemo e Miguel Strogoff. E tanto insistimos que mamãe quis conhecer o prodígio pelo qual seus filhos estavam apaixonados, e apaixonou-se por ele também. Casaram-se com simplicidade, casando as duas pobrezas, mas também as duas forças." 

Gustavo Corção Braga nasceu em 17 de dezembro de 1896, no Rocha, Rio de Janeiro. Nas proximidades do seu aniversário natalício, com esse belo trecho, essa bela citação da crônica "Dia das Mães", que pode ser encontrada no livro "Conversa em sol menor", gostaria de pedir ao leitor as suas orações pela alma desse nosso heroi da fé e exímio escritor, polemista e apologeta católico, como também, em sinal de reconhecimento pelo bem que ele nos fez e ao Brasil, com seus escritos, exemplos e ensinamentos, pelas almas de seus pais, Francisco Braga e Gracietta Corção, de seu padrasto, seu Castanheira, de sua primeira esposa, Diva Corção, por sua segunda esposa, Hebe Corção, por seus filhos e netos.