quinta-feira, 22 de maio de 2014

MAIS CITAÇÕES DE "INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO"


Partilho com você, leitor, trechos extraordinários ainda do Prefácio de "Introdução ao Cristianismo":


“Todas as grandes civilizações estão abertas umas para as outras e para a verdade. Todas trazem alguma contribuição para o ‘vestido multicolor’ da noiva, da qual fala o Salmo 44 que os Padres da Igreja aplicavam à Igreja.”
 

“Deus tornou-se totalmente concreto em Cristo, mas isso fez também com que o seu mistério aumentasse ainda mais. Deus é sempre infinitamente maior do que todos os nossos conceitos e todas as nossas imagens e todos os nossos nomes. O fato de nós o professarmos como Deus trino não significa de modo algum que já sabemos tudo a seu respeito, muito pelo contrário: isso nos mostra o quão pouco sabemos dele e quão pouco o entendemos e compreendemos.”


“A partir do prólogo de João está no centro de nossa fé cristã em Deus o conceito do Logos, que significa razão, sentido, mas também palavra – um sentido, portanto, que é palavra, que é relação, que é criador. O Deus que é Logos nos afiança a racionalidade do mundo, a racionalidade do nosso ser, a adequação da razão a Deus e a adequação de Deus à razão, mesmo que a sua razão ultrapasse infinitamente a nossa e nos pareça tantas vezes como escuridão.”

 
“O mundo vem da razão, e essa razão é pessoa, é amor – é isso o que a fé bíblica nos diz a respeito de Deus. A razão pode e deve falar de Deus, do contrário ela se mutila a si mesma. Isso inclui o conceito de criação. O mundo não é apenas ‘maia’, ou seja, aparência que, em última análise, devemos deixar para trás. Ele não é apenas a roda infinita dos sofrimentos, da qual devemos tentar escapar. O mundo é positivo. Ele é bom, apesar de todo mal e todo sofrimento que há nele, e é bom viver nele. O Deus que é criador e que se manifesta em sua criação dá direção e medida também à ação do homem.”

 

(Joseph Ratzinger, Prefácio à reedição de 2010 de “Introdução ao Cristianismo”)

 

 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

"INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO", A OBRA-PRIMA DE JOSEPH RATZINGER (TRECHO)

"Prefácio à reedição de 2000


'Introdução ao Cristianismo' -- ontem, hoje e sempre


Desde a redação desta obra passaram-se mais de trinta anos em que a história universal continuou avançando em ritmo acelerado. São dois os anos que, na retrospectiva, marcaram de modo especial as últimas décadas do milênio recém-concluído: 1968 e 1989. O ano de 1968 assinala a rebelião de uma nova geração que não só julgou insuficiente, cheia de injustiças, de egoísmo e de avareza a obra de reconstrução do pós-guerra, como reputou errado e fracassado todo o percurso da história a partir da vitória do cristianismo. Ela começaria a fazer tudo melhor, edificando, finalmente, o mundo da liberdade, da igualdade e da justiça; além disso estava convencida de ter encontrado na grande corrente do pensamento marxista o caminho que levaria a essa meta. O ano de 1989 trouxe a derrocada inesperada dos regimes socialistas na Europa que deixaram atrás de si a herança triste de uma terra arrasada e de almas destruídas. Quem esperava, então, ter chegado a nova hora da mensagem cristã viu-se frustrado. Apesar de não ser pequeno o número de fiéis cristãos no mundo todo, o cristianismo não conseguiu apresentar-se como alternativa memorável nesse momento histórico. No fundo, a doutrina marxista da salvação, se bem que dividida em variantes diversas de instrumentalização, era vista como o único roteiro para o futuro, baseado em motivação ética e, ao mesmo tempo, em conformidade com a visão científica do mundo. Por isso não chegou a desaparecer simplesmente após o choque de 1989. Basta lembrar a pouca repercussão que tiveram os relatos dos horrores dos gulags comunistas e o esquecimento em que logo caiu a voz de Soljenitsin: são coisas de que não se fala. Existe uma espécie de vergonha que o proíbe; até mesmo o regime assassino de Pol Pot só parece merecer rápidas menções casuais. Mesmo assim sobrou uma sensação de decepção e uma profunda perplexidade. Já não se confia em grandes promessas morais, afinal, o próprio marxismo se tinha considerado uma delas. A meta era: justiça para todos, paz, abolição de formas de governo injustas etc. Para alcançar objetivos tão nobres, viram-se obrigados a cancelar no percurso os fundamentos éticos, podendo inclusive recorrer ao terror como meio para alcançar o bem. Depois de terem vindo à luz, pelo menos durante uns momentos, os escombros do humanitarismo que resultaram desse pensamento, opta-se agora por um recuo ao pragmatismo, quando não se confessa abertamente uma atitude de desprezo pelo elemento ético. Um exemplo trágico pode ser observado na Colômbia onde se começou, inicialmente sob auspícios marxistas, uma luta pela libertação dos pequenos agricultores pisados pelos grandes capitalistas. Com o tempo formou-se de fato uma república de rebeldes que, constituída hoje à margem do poder do Estado, explora abertamente o tráfico de drogas e nem procura mais nenhuma justificativa moral, ainda quando é sabido que está satisfazendo uma demanda que vem dos países ricos e que está dando emprego e pão a muitas pessoas que dificilmente encontrariam um lugar na ordem econômica vigente. Numa situação de tal perplexidade, o cristianismo não deveria reencontrar a sua voz, 'introduzindo' o novo milênio na sua mensagem e tornando-a compreensível, para que possa servir de roteiro em direção ao futuro?
 
Onde estava a voz da fé cristã em todo esse tempo? Em 1967, quando este livro foi escrito, estava em pleno andamento a efervescência que caracterizou os primeiros anos depois do Concílio. Exatamente esse tinha sido o propósito do Vaticano II: conferir ao cristianismo novamente a força de fazer história."

 

terça-feira, 20 de maio de 2014

SÃO BERNARDINO DE SENA



Curvo-me, hoje, com reverência perante o grande pregador São Bernardino de Sena. Curiosamente, São Bernardo de Claraval, doutor da Igreja, cujo nome é parecido com o seu, é comemorado também no dia 20, só que de agosto. Os dois são grandes apóstolos, filhos prediletos, da Virgem Maria.

Embora São Bernardino de Sena não seja doutor da Igreja, impressionam-me a sabedoria, a beleza, a força e a precisão das suas palavras. Sua doutrina parece ter a mesma estatura da dos santos doutores. Muitas citações dele são encontradas no célebre "Glórias de Maria", de Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja.
 
 
 
 

sábado, 17 de maio de 2014

ROSÁRIO NA PRAÇA DO PAPA, DOMINGO, 18/5, ÀS 9 HORAS


Prezado amigo, prezada amiga,
 
 
Amanhã rezaremos o santo rosário completo na Praça do Papa, no bairro Mangabeiras, às 9 horas da manhã, encontrando-nos em frente à cruz. No dia 18 de maio comemora-se o aniversário de nascimento do grande Papa São João Paulo II, que pisou nessa mesma praça e lhe deu o nome ou apelido. Será também uma nossa homenagem a Nossa Senhora no seu mês, maio.
 
Peço-lhe que pense desde já em suas intenções, compareça e leve quem você quiser. Caso você não possa ir, reze por nós. Nós rezaremos pelas suas intenções.
 
Após a recitação de alguns mistérios na Praça do Papa, faremos um pequena caminhada pelas ruas do bairro Mangabeiras, continuando a recitação pública do santo rosário, dando testemunho humilde da nossa fé.
 
 
Um abraço e até amanhã,
 
 
Paul

O QUE PENSAVA CERTA MÃE




"Permita-me, meu irmão, que lhe venha trazer uma reminiscência de minha infância. Em minha casa paterna, no escritório de meu pai, em cima de sua mesa de trabalho, havia um quadro. Entre as lembranças que sempre me acompanham na vida, há esta que está bem viva; parece que, ainda hoje, estou vendo este quadro, com toda a nitidez.
 
Atrás dum vidro grosso, havia uma estampa, que uma armação de metal mantinha erguida, bem visível a todos os que se aproximassem. Apresentava a figura duma mulher com um menino ao lado, os dois ricamente vestidos. Ela era Branca de Castela, rainha de França; ele, o príncipe Luís, mais tarde Luís IX, o grande São Luís, rei de França, cuja festa celebramos no dia 25 de agosto. Em baixo da gravura, havia esta frase: 'Meu filho, você sabe bem quanto eu o amo, mas prefiro vê-lo morto a saber que cometeu um pecado mortal.'
 
Estas palavras exprimiam bem a fé e a fortaleza dessa mulher extraordinária, assim não estranhamos que tenha dado à igreja um grande cristão, um santo canonizado.

Mas não deveria ser este o propósito de cada um de nós, a disposição constante de nossa vida? Olhemos as legiões de mártires da Igreja. Por que foram sacrificados? Simplesmente para não cometerem um pecado mortal, renegando Cristo.
 
Que é o pecado mortal? Uma transgressão grave da lei divina, com pleno conhecimento e inteira liberdade. Uma injúria séria a Deus. O homem prefere um prazer momentâneo à amizade com Deus. Diz ao Altíssimo que este deleite lhe é mais valioso do que o próprio Senhor; se não afirma isto por palavras, ele o faz por ato.
 
São estas as consequências dum único pecado mortal:

1) perda da graça divina, assim este pecado é chamado mortal, pois de algum modo traz a morte à alma, privando-a da vida de Deus;

2) o homem deixa de ser templo de Deus, o Espírito Santo retira-se de sua alma;

3) são cancelados seus méritos espirituais, é como se perdesse tudo de bom que fez na vida;

4) arrisca-se à condenação eterna. Se morrer neste estado, ficará perpetuamente no inferno. Poderá haver desgraça maior?
 
Paremos um pouco e meditemos nestas verdades. Terminemos nossa reflexão com uma conversa com o Senhor, digamos a Cristo que preferimos morrer a perder a vida divina - a graça - em nosso coração."
 
 
(Dom Cristiano Frederico Portela de Araújo Pena, 1.º bispo de Divinópolis, falecido em 2 de agosto de 2000 em odor de santidade, ordenado bispo em 17 de maio de 1959, há exatos 55 anos. Pai espiritual e um dos maiores responsáveis pela formação cristã do autor deste blog).
 
 
* Aí do céu, Dom Cristiano, dê-nos a sua bênção!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

SÃO SIMÃO STOCK


Comemoramos hoje São Simão Stock, monge carmelita do século XIII, que recebeu das mãos de Nossa Senhora do Carmo o escapulário, que se tornou um objeto de devoção mariana universal, cujo uso foi estimulado por inúmeros Papas.

TRECHO DE "DOIS AMORES -- DUAS CIDADES", DO CORÇÃO


"A moderna psicologia profunda, principalmente na doutrina freudiana do 'super-ego', trouxe ao mundo um reforço de desconfiança em relação ao que recebemos de nosso pai, que passou a ser o mais suspeito dos personagens. Tudo o que vem do pai, do mestre, da tradição, de Deus, é visto como coação, como pressão, como imperialismo psicológico. Para cortar esse vínculo, atiramo-nos para o lado da mãe escura que devora os seus filhos.

Terá acontecido alguma coisa assim na origem de nossa história. Não temos a pretensão de esboçar aqui uma psicanálise de nossos primeiros pais; mas temos a convicção de que é impossível tratar do problema e do mistério do amor próprio sem o socorro da teologia. No caso, sem lembrar o pecado original. Marca, estigma, ferida deixada pelo pecado original, mesmo depois de sua total extinção pelo batismo, o amor-próprio será o que os teólogos chamam 'fomes peccati'.
E àquele que vai procurando algo que seja seu, absolutamente seu, sem sombra de alienação, sem sociedade dos homens e de Deus, podemos responder com toda a tradição católica que só temos de nosso, puramente nosso, a miséria de nossos pecados e de nosso amor-próprio."
 

 (Corção, "Dois amores -- duas cidades")