segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

NATAL E ANO NOVO

Caro leitor, gostaria de recordar-lhe que o Natal, dia 25 de dezembro, e o dia 1.º de janeiro, Dia de Santa Maria Mãe de Deus, são dias santos de guarda, dias de preceito, isto é, de missa obrigatória. Como se sabe, deve-se assistir à missa inteira (chegando antes do padre e saindo depois dele), e a celebração do dia anterior, da vigília de Natal (dia 24) e a da vigília do ano novo, no dia 31 de dezembro, pelas normas da Igreja, valem como as do dia de preceito.
 
Seria importante que nos preparássemos da melhor maneira para essas celebrações. Não apenas com um banho caprichado, roupa nova e perfumes, mas com uma boa confissão individual (como se sabe, a confissão comunitária não é válida para tais situações) e com bons propósitos para o próximo ano, pedindo a Deus as suas bênçãos para essas novas resoluções. Na Bíblia a graça divina é frequentemente comparada com as vestes, desde a sensação de nudez dos nossos primeiros pais aos convidados que não estavam com a roupa adequada para o banquete do Evangelho. Não há muito sentido em viver o Natal em pecado grave, em pecado mortal, fora da comunhão com Deus. É preciso que pela confissão Deus, o Espírito Santo, a graça divina venham habitar na nossa alma, assim como o Menino Deus, com toda a sua delicadeza e suavidade, desceu da eternidade para deitar no presépio. Ainda que nossa alma seja para Deus um rude estábulo, cabe a nós prepará-lo, torná-lo o mais digno possível para acolher tão celestial visita, que outra coisa não é do que a própria alegria. Com o manso e humilde Rei do Universo, chegam-se a nós os santos e os coros dos anjos!
 
Permitamo-nos viver a alegria, experimentar a verdadeira alegria: nossas festas estarão repletas de graça sobrenatural se nos prepararmos espiritualmente para acolher em nossas almas o Verbo que se fez homem. E, assim, nossas festividades, nossos banquetes, nossos vinhos serão um sinal, uma figura, um reflexo da grande festa que se passa no nosso interior.

Finalmente, nos dias 25 de dezembro e 1.º de janeiro, pode-se lucrar a indulgência plenária assistindo à bênção "Urbi et Orbi" do Santo Padre, pela televisão ou pelo rádio.
 
PMK

FILOTEIA OU INTRODUÇÃO À VIDA DEVOTA

Minha primeira sugestão de leitura para o ano que vem, para as férias e para todos os anos da vida: "Filoteia" ou "Introdução à vida devota", do grande mestre e diretor espiritual São Francisco de Sales, bispo de Genebra e doutor da Igreja. Trata-se de um dos maiores clássicos da espiritualidade de todos os tempos. É bem mais do que uma introdução; um livro para a vida toda, de cabeceira, para ser lido, relido, revisitado e meditado. Consegue ser profundo, claro e prático ao mesmo tempo. De uma atualidade que impressiona nos seus mais de quatrocentos anos. Para o meu gosto pessoal, em muito supera a "Imitação de Cristo", pela variedade e completude dos temas tratados e pela sua praticidade.

Os mais fortes, os mais animados, poderão ler a sequência, bem mais complexa e extensa: o estupefaciente "Tratado do amor de Deus", de que há algumas citações neste blog.
 
Conheço as edições da Vozes. São boas. O "Filoteia" com capa plástica contém um português clássico impecável. A versão de bolso contém erros e, por isso, não a recomendo.

Quanto ao "Tratado do amor de Deus", só conheço o de capa dura da Vozes. A tradução parece meio truncada, às vezes, pouco clara. Mas é o único com que tive contato e vale muito a pena o esforço para digerir a leitura.

PMK

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"O TRIUNFO DE SANTO AGOSTINHO"

"O Triunfo de Santo Agostinho", Claudio Coello.


No dia 27 de agosto de 2014, véspera de Santo Agostinho e dia de Santa Mônica, sua mãe e principal responsável pela sua conversão, tive a grata oportunidade de contemplar este quadro impressionante no Museu do Prado, em Madri. Foi uma grande emoção, pois Santo Agostinho é, sem dúvida, minha devoção principal, depois de Nossa Senhora e São José.
 
Vejamos o que nos diz o Guia do Prado sobre esta bela obra, que inseri agora no blog:
 
"Esta magistral obra juvenil, de grande monumentalidade, toma de 'O Triunfo de Santo Hermenegildo' de Francisco de Herrera, o Moço, o movimento helicoidal ascendente do santo, assim como o grande dinamismo da composição. Tal como a referida obra de Herrera, é um grande quadro de altar protagonizado pela imagem colossal, heroica e teatral do santo elevando-se para a glória, realizada com o objetivo de impressionar e comover o fiel. Foi pintada para o convento dos Agostinhos Recolectos de Alcalá de Henares e deu entrada no Prado proveniente do Museu da Trindade. Nela o padre da Igreja ascende sobre uma bela paisagem para um céu de um azul intenso, acompanhado, na sua ascensão, por anjos rubensianos portadores do seu báculo de bispo. Enquanto aponta para o céu com a mão direita, o santo observa os seus inimigos já derrotados: o dragão infernal e o paganismo, representado por uma escultura clássica, para os quais um arcanjo dirige a sua espada de fogo."
 
Dados da pintura:
 
Claudio Coello
Madri, 1642-1693
"O Triunfo de Santo Agostinho"
1664. Óleo sobre tela,
271 x 203 cm

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

INDULGÊNCIA PLENÁRIA DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Hoje, dia de São João da Cruz, doutor da Igreja, aqueles que já fizeram a imposição do escapulário, cumprindo as condições gerais para a sua obtenção, podem lucrar a indulgência plenária própria do uso do escapulário, como se pode ver abaixo no texto: "Os extraordinários benefícios do escapulário do Carmo".
 
Com efeito, a Igreja e a Virgem Santíssima cumularam de bens espirituais extraordinários a imposição e o uso do escapulário do Carmo.

SER LEITOR É PADECER NA INTERNET

Segue-se cópia de carta que encaminhei ao Estado de São Paulo a propósito do questionável artigo: "Sou mãe e a favor do aborto", da jornalista Rita Lisauskas, de 3 de novembro de 2015.


Prezado editor,

Escrevo para lamentar a falta de qualidade jornalística do artigo: "Sou mãe e a favor do aborto", do Blog "Ser Mãe é Padecer na Internet", de Rita Lisauskas.

O título já revela a fragilidade do texto, apelando para o lado sentimental da maternidade e para o argumento de autoridade. Qual é a lógica do título? Só mães podem opinar sobre aborto? Sua opinião (das mães) por acaso é mais abalizada pelo fato de serem partes interessadas? Normalmente o que se dá é justamente o contrário: quem é parte interessada em um litígio ou questão deixa-se dominar pela paixão e abandona a razão. Em suma: o argumento de autoridade da jornalista mais enfraquece o artigo do que o robustece. Sugestão à jornalista: servir-se da autoridade do argumento nos próximos textos.

Mais. Os argumentos desenvolvidos são velhos, caducos, lugares-comuns completamente batidos, superados. Faltou criatividade à articulista em desenvolver um texto realmente original, invocando estatísticas que não demonstra e desenvolvendo sofismas de fácil desate.

Vivemos em um Estado que se diz Democrático de Direito, o que significa que todos são iguais perante a lei. Um esôfago realmente não têm direito à vida, mas um ser humano em gestação, sim. A articulista resolveu não matar seu filho e ser mãe, o que é louvável. Mas teria que suportar as penas da lei se confundisse o seu próprio corpo com o filho que agora lhe serve de pretextos para escrever artigos de qualidade questionável. Mesmo se a articulista resolvesse abortar uma perna, digo, amputar um braço, o ordenamento jurídico não lhe permitiria, porque o direito de dispor do corpo também não é absoluto. Ser leitor, sim, é padecer na internet.

Mais originalidade, mais conhecimento filosófico e jurídico seria desejável a quem se propõe a carreira jornalística.

Paul Medeiros Krause

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

SONETO INCENDIÁRIO


Ó, m'a gata sublime, borralheira,
Cândida criança de branca neve,
Por ti se torna minh'alma mais leve
E se arrepia toda a minha cabeleira.


Água límpida, tíbia cachoeira,
A ti, amor, que meu destino leve,
Do peito, o coração, perfume breve,
Da boca uma canção que cante inteira.


Tua beleza como o oceano vasta,
Que oculta frutos, estrelas, cavalos,
De minh'alma destrói tudo o que encarde.


Inflama meu fogão e dá estalos,
Ó chama que consome, mas não arde!,
E da face fria o franzir afasta.



Paul Medeiros Krause, 1992, após ter lido o "Livro de Sonetos" de Vinícius de Moraes.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

"THE SKY IS CRYING"


Por duas vezes, amável leitor, ouvindo um mesmo blues, magnificamente executado por Stevie Ray Vaughan numa performance ao vivo de 4 de outubro de 1984, no Carnegie Hall, Nova York, encostaram o carro ao lado do meu, uma delas no sinal de trânsito, para me perguntar: “Que música excepcional é esta que você está escutando?”

Era “The Sky is Crying”, que, salvo melhor juízo, não foi composta por aquele brilhante guitarrista, infelizmente falecido na flor da idade.

Não sou entendido de blues, mas há um momento em que, no meio daqueles estupendos, grandiosos solos de guitarra, executados com toda a perfeição e energia possíveis, a música parece agonizar para então ressurgir com mais e mais força, reservando o seu melhor, o ápice, para os momentos finais.

Perdoe-me pela pobre analogia. Por comparar coisas temporais com realidades eternas. Mas devo dizer que este homem embrutecido pelo deleite das coisas mundanas, toda vez que ouve “The Sky is Crying”, lembra-se da famosa ladainha lauretana, a mais conhecida e famosa ladainha de Nossa Senhora.

Avanço na analogia. Esse momento no blues em que a música parece agonizar, morrer, para ressuscitar com toda a força, com espantoso ímpeto, deve certamente possuir um nome técnico e não é algo exclusivo do clássico que mencionei. Esse instante apoteótico, quase apocalíptico, lembra-me os dizeres finais da ladainha lauretana. Aqueles que designam a Mãe de Deus como Rainha.

Antes das invocações finais, a ladainha inclina-se para uma morte e depois reergue-se para uma ressurreição. Há uma inflexão, quase uma pausa mortal aqui: “Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Auxílio dos cristãos”.

Imediatamente em seguida porém a torrente de invocações ressurge com toda a sua força, como se pudéssemos ouvir o coro invisível e inaudível de todos os anjos e santos, com todas as potestades, dominações e trombetas celestes, e toda a natureza, com a sua voz surda, prorrompendo: “Rainha dos anjos, Rainha dos patriarcas, Rainha dos profetas, Rainha dos apóstolos, Rainha dos mártires, Rainha dos confessores, Rainha das virgens, Rainha de todos os santos, Rainha concebida sem pecado original, Rainha assunta ao céu, Rainha do santíssimo rosário, Rainha da família, Rainha da paz”.

E assim terminam as invocações à Mãe de Deus no seu ápice, com gosto de paraíso, como uma antessala do céu, inundada de poder, de estrondo e de paz.
 

Paul Medeiros Krause