terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

CHEGOU O NATAL!

Caro leitor, estamos às portas do Natal. Talvez o seu caminho, o meu caminho, percorrido até aqui não tenha sido fácil. Talvez tenha ocorrido a molesta sensação do desânimo, o impertinente, o inconveniente cansaço da alma. Será que não nos perdemos e muitas vezes andamos em círculos, mais ou menos regulares, de maior ou menor diâmetro, como o Padre Donissan num trecho de "Sob o sol de Satã"? Quem sabe se em alguns momentos não terá se insinuado, como um demônio mudo, a labiríntica sensação de desespero? Ou quem sabe uma acabrunhante sensação de impotência absoluta?
 
É possível que os dias desse ano tenham sido iguais em demasia, que a sua monotonia tenha sido superior à aceitável. Pode ser que as semanas desse moribundo que grita e agoniza tenham tido três ou quatro segundas-feiras, raramente domingos. Parece verdade que os seus erros, que os meus erros, tenham sido demais, tenham se multiplicado e propagado com a velocidade do som. Pode ser que tenhamos arrastado atrás de nós o nosso próprio cadáver, que tenhamos sido devorados pelo tédio.

O esgotamento do corpo é de simples remédio, mas que fazer com o envelhecimento da alma, com as rugas nas dobras do espírito, com as artrites e artroses do eu que nos habita? É relativamente fácil recompor as forças do corpo, mas como refazer, devolver, insuflar forças à alma esgotada?

Uma espécie parecida de esgotamento, de cansaço, está magistralmente descrita n'"O Diário de um Pároco de Aldeia":

"Minha paróquia é uma paróquia como as outras. Todas as paróquias se parecem. As paróquias de hoje, naturalmente. [...]

Minha paróquia é devorada pelo tédio, eis a palavra. Como tantas outras paróquias! O tédio as devora sob nossa vista e nada podemos fazer. Um dia, talvez, o contágio tomará conta de nós, descobriremos em nós esse câncer. Pode-se viver muito tempo com isso.

[...]

Dizia a mim mesmo que o mundo é devorado pelo tédio. Naturalmente, é preciso refletir um pouco para dar-se conta disso; não é fato que se apreenda assim, de relance. É uma espécie de pó. A gente vai e volta sem o ver, respira-o, come-o, bebe-o; é tão tênue, tão fino, que nem ao menos range sob os dentes. Mas se a gente para um segundo, ei-lo que cobre nosso rosto, nossa mão. Temos de nos sacudir, sem cessar, para libertar-nos dessa chuva de cinza. Daí por que o mundo tanto se agita.

Dir-se-á talvez que, há muito, o mundo se familiarizou com o tédio, que o tédio é a verdadeira condição do homem. É possível que a semente espalhada por toda a parte germinasse, aqui e ali, em terreno favorável. Pergunto, porém, se os homens conheceram algum dia esse contágio do tédio, essa lepra! Um desespero malogrado, uma forma torpe do desespero que é, sem dúvida, como que a fermentação de um cristianismo desfigurado."

Interessante a observação do autor. A agitação do nosso tempo teria como causa o nosso tédio, o nosso desespero malogrado, uma forma torpe do desespero, a fermentação de um cristianismo desfigurado.

Esse trecho primoroso d'"O Diário de um Pároco de Aldeia" soa para mim da mesma forma que "No meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade. Os dois textos tratam do cansaço da alma:

"No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra."

Não pense o leitor que eu pretenda oferecer soluções fáceis para problemas difíceis. A rigor, nem sequer sei se sou capaz de oferecer uma solução. Contudo, o problema não parece ser a paróquia. Nem o caminho. Não parece ser a repetição em si mesma, a sucessão de atos que se repetem e não parecem atingir fim algum. O problema real é não fazer a exumação, a radiografia do ato, não esquadrinhá-lo, não compreendê-lo em sua inteireza e interioridade.

Enxergar cada momento como uma oportunidade única e irrepetível, ainda que eventualmente assemelhada a outras, como um dom a ser explorado, como uma página a ser escrita, como uma poesia a ser feita, como um jarro vazio a ser preenchido com o vinho novo da alegria. Não são os atos que cansam. É a sua falta de razão. Gosto de pensar em que, no princípio, era o Logos. Logos pode ser traduzido, dizem os exegetas, como Palavra, como Verbo, mas também como Razão, como Sentido. Gosto de pensar em que no princípio, era o Sentido, estava o Sentido, estava a Razão. Estava Aquele que é e dá Sentido e Razão a todas as coisas. Esta mesma Razão, este mesmo Sentido, quer descer aos nossos mínimos atos, como desceu em nossa singela humanidade no tão pouco razoável, no insólito e absurdo estábulo de Belém.

Antes de Jesus Cristo muitas crianças nasceram. Houve uma estranha e monótona repetição de nascimentos. Todos os nascimentos anteriores anunciavam, de alguma forma gritavam aos quatro cantos, profetizavam, a sua vinda, como uma espécie de introdução, de preparação, de prelúdio.

Lá do céu Deus Pai deve ter visto o nosso cansaço, o nosso desânimo, o nosso tédio infinito. Esse câncer, esse pó que nós comíamos sem ver. Deve ter visto a fermentação da antiga aliança desfigurada. E quando a humanidade já não aguentava mais, arrastava-se no meio do caminho, fez seu Filho pousar em nossa humanidade e enchê-la de razão e de sentido. Não poderia ter sido de forma mais bela. Mais doce, mais calma.

É possível que nosso Pai diga ao sol todos os dias: "Vamos de novo!", como pensou Chesterton, pois nosso Pai é mais jovem do que nós, que envelhecemos.

Que o Verbo, depois de pousar em nós, em nossa humanidade, pouse em nossos atos e os encha de sentido. Que nossos atos sejam enxertados na videira. Que Ele derrame o vinho novo, aquele de melhor sabor, no pequeno jarro de cada uma de nossas ações, até nas mais banais e enfadonhas. Que Deus Pai nos diga, diga aos nossos atos, todos os dias, como diz ao sol: "Vamos de novo, ação por ação, encher de sentido o mundo".


segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

O DEVER DO MOMENTO E A GRAÇA ATUAL

O ensinamento católico faz uma distinção entre duas espécies de graças, a graça habitual e a graça atual.

A graça habitual é o mesmo que graça santificante, estado de graça, participação na vida divina, participação na vida íntima da Santíssima Trindade. Embora não o sintamos claramente e não se realize perfeitamente nessa vida, consiste em ver a Deus como Ele mesmo se vê e amá-Lo como Ele mesmo se ama. Pela graça santificante, Deus em nós se vê e se ama, e leva-nos a participar disso, das relações íntimas da Santíssima Trindade. É a graça mais importante para nossas vidas, pois é a vida eterna começada, é a comunhão com Deus, é a amizade com Deus, é a participação na vida íntima de Deus, que se realizará com perfeição no céu. Sem ela, sem a graça habitual, sem a graça santificante, somos inimigos de Deus, ainda que examinando-nos a nós mesmos nos pareça que não. Mesmo que os nossos sentimentos traiam-nos, afirmando que somos amigos de Deus, se estamos em pecado mortal, se não estamos na graça santificante, somos inimigos de Deus. E, se morrermos nesse estado - Deus nos livre de tão grande mal, ainda que seja no último momento -, seremos condenados ao inferno.

A graça atual é a que Deus concede a cada momento para o cumprimento do dever. Se somos fiéis a ela, a nossa vida ativa se eleva pouco a pouco, participando da vida contemplativa. Correspondendo às graças atuais, nossa vida ativa tornar-se cada vez mais penetrada pela vida contemplativa, pela presença de Deus. Recebemos a graça atual mesmo se estamos em pecado mortal: é justamente uma graça atual, uma força e inspiração de Deus, que nos leva a rezar e nos leva a nos confessar para nos reconciliarmos com Ele. A graça atual é uma luz e uma força para o cumprimento do dever de cada momento. Se estamos na graça santificante, a graça atual nos leva e nos ajuda a crescer naquela, a progredir na amizade com Deus. Se estamos em pecado mortal, a graça atual é que nos dá força, nos impele, nos ajuda a aproximarmo-nos de Deus novamente. É a graça atual que converte o pecador, pois, quando ele estava no pecado, não possuía a graça santificante.

Pois bem. Gostaria de recomendar a leitura de um livro magnífico, do célebre teólogo dominicano Reginald Garrigou-Lagrange. Estou finalizando a leitura de "A Providência e a confiança em Deus", lançamento da editora Cultor de Livros, que se dedica a uma obra ou missão importantíssima: traduzir para o português grandes obras da literatura cristã não encontradas em nossa língua. Foi o caso d'"As três idades da vida interior", do mesmo escritor, da biografia de São Pedro de Alcântara, patrono do Brasil, e de tantos outros livros editados pela Cultor.

Garrigou-Lagrange levou-me a compreender melhor a imensa graça do cumprimento do dever de cada momento, de cada instante. Recordou-me inclusive algo da logoterapia, que afirma que as nossas escolhas de cada momento na vida, podem ter sentido ou não. Importa fazer escolhas com sentido. É bom, é necessário, é indispensável, em cada instante, em cada momento, em cada atividade, penosa ou prazerosa, fazer a vontade de Deus, para o que Ele nos concede, também a cada momento, a cada instante, a graça atual, a força, o auxílio necessário para cumpri-lo. E, correspondendo a cada graça habitual, mais graças nos são concedidas, e vamos crescendo em santidade.

Ensina Garrigou-Lagrange, com sua habitual simplicidade e clareza:

"Qual a conclusão prática? É que, fazendo o possível para cumprir nossos deveres cotidianos, devemos abandonar-nos quanto ao restante à divina Providência, com a mais filial confiança. E se procurarmos realmente ser fiéis nas pequenas coisas, na prática da humildade, da mansidão, da paciência, nas coisas do dia a dia, o Senhor nos dará a graça de ser fiéis nas coisas grandes e difíceis, caso nos peça para enfrentá-las; e então, nas circunstâncias extremas, ele concederá graças extremas àqueles que o buscam.

[...]

Já vimos por que devemos confiar-nos e abandonar-nos à Providência: devido à sua sabedoria e à sua bondade; e em que devemos confiar-nos a ela: em todas as coisas, quanto à alma e ao corpo, com a condição de cumprir os nossos deveres cotidianos, e lembrando que, se formos fiéis nas pequenas coisas, obteremos a graça de o ser também nas grandes.

[...]


O dever do momento presente tal como o compreenderam os santos, e a luz que ele contém


O dever de cada instante, sob aparências muitas vezes modestas, contém a expressão da vontade de Deus para nós, para nossa vida individual. A Virgem Maria viveu, assim, na união divina cumprindo no dia a dia a vontade de Deus no dever cotidiano de sua vida muito simples, muito comum exteriormente, como a de todas as pessoas de sua condição. Assim viveram todos os santos, fazendo a vontade de Deus tal como se manifestava de hora em hora, sem se deixar perturbar pelas contrariedades imprevistas. Seu segredo estava em tornar-se, a cada momento, aquilo que a ação divina queria fazer deles. Nessa ação, eles viram tudo o que tinham a fazer e a sofrer, todos os seus deveres e todas as suas cruzes. Estavam convencidos de que o acontecimento atual é um sinal de uma vontade ou de uma permissão de Deus para o bem daqueles que o buscam. [...] Os santos veem, assim, na sequência dos acontecimentos, como que um ensinamento providencial, e acreditam que, acima da sucessão dos fatos exteriores de nossa vida, há como que uma série paralela de graças atuais, que nos são incessantemente oferecidas para fazer-nos tirar, desses acontecimentos agradáveis ou desagradáveis, o melhor proveito espiritual.

[...]

Os santos, em circunstâncias semelhantes e mesmo em outras muito piores, dizem: Fazer a cada momento a vontade de Deus é, no fundo, a única coisa necessária. O Senhor nunca ordena o impossível, mas há um dever que, a cada momento, ele torna realmente possível para cada um de nós, e para cujo cumprimento solicita o nosso amor e nossa generosidade.

[...]

O dever que precisamos cumprir a cada hora é, como dizíamos, um sinal da vontade de Deus para nós em particular, hic et nunc [aqui e agora], e contém assim uma luz prática muito santificadora, que é a do Evangelho aplicado às diversas circunstâncias de nossa vida; são realmente as lições de coisas de Deus.

Se, a exemplo dos santos, soubéssemos considerar assim cada momento, veríamos que cada um deles contém não somente um dever a cumprir, mas também uma graça para que sejamos fiéis a esse dever.

[...]

'O momento presente é sempre cheio de tesouros infinitos; seu conteúdo ultrapassa a vossa capacidade. A fé é a medida: nele encontrareis tanto quanto credes. Também o amor é a medida: quanto mais o vosso coração ama, mais ele deseja, e quanto mais deseja, mais encontra. A vontade de Deus se apresenta, a cada instante, com um mar imenso que o vosso coração não pode abarcar. Ele recebe dela segundo a medida em que é expandido pela fé, pela confiança e pelo amor; todo o restante da criação não pode preencher o vosso coração, que tem mais capacidade do que tudo aquilo que não é Deus. As montanhas que impressionam os olhos não passam de átomos no coração. A divina vontade é um abismo, cuja abertura é o momento presente: mergulhai nesse abismo, e o encontrareis sempre maior do que os vossos desejos.'"

Insisto, portanto, na recomendação da leitura do livro e em especial nessa abertura ao infinito, que é o cumprimento do dever do momento do presente, pequeno ou grande, agradável ou difícil, na fidelidade à graça atual oferecida. Concluo com o grande autor espiritual:

"Sejamos assim santamente atentos à graça atual que, de minuto a minuto, nos é oferecida para o cumprimento do dever presente. Veremos, assim, cada vez melhor, o que deve ser a nossa fidelidade nas pequenas coisas como nas grandes."

domingo, 29 de janeiro de 2023

O APÓSTOLO DOS TEMPOS MODERNOS


Santo Tomás de Aquino


 "Santo Tomás o apóstolo dos tempos modernos.


8. Com Leão XIII prossegue a áspera luta 'contra os erros modernos'. Em 1878 publica 'Quod apostolici muneris', contra as ilusões do socialismo e do comunismo, continuando as advertências de seus predecessores, e chegando a dizer: 'Tenham além disso o maior cuidado para evitar que os filhos da Igreja Católica deem seus nomes ou prestem algum favor a essa detestável seita (socialista)'.


Em 1879, a encíclica 'Aeterni Patris', recomenda veementemente a fidelidade ao estudo da obra de Santo Tomás de Aquino.


LEÃO XIII: 'Múltiplos são os motivos que provocam em nós essa ardente vontade. Em primeiro lugar, pelo fato de estar a fé cristã, em nossa época, diariamente exposta às maquinações e às astúcias duma sabedoria enganadora, torna-se mister proporcionar aos jovens, sobretudo àqueles em que a Igreja põe suas melhores esperanças, o alimento forte e substancial da boa doutrina, para que, cheios de vigor, abundantemente equipados, se acostumem cedo a defender a causa da religião com força e sabedoria: 'sempre prontos a responder a quem pedir a razão dessa esperança que carregamos (I Pet III, 15), e a exortar na sã doutrina refutando os contraditores'.' (Tit. I, 9.)


Não é difícil imaginar o estupor dos 'esclarecidos' diante desse documento que recomendava aos moços a doutrina de um doutor da Igreja de 700 anos atrás. Anos mais tarde, durante o admirável renascimento do tomismo em França, Jacques Maritain podia dizer com firmeza e tranquilidade que Santo Tomás era o apóstolo dos tempos modernos, mas o mérito da primeira exumação cabe sem dúvida a Leão XIII.


No ano seguinte [Leão XIII] publica a encíclica 'Diuturnum', sobre a origem do poder, e contra a funesta doutrina da soberania absoluta do povo, que constitui a mais brutal forma de laicização de nossos tempos. No ano seguinte, na carta 'Cum Multa', dirigida aos espanhóis, retoma o problema das relações entre o religioso e o civil, que os liberais pretendem cortar deixando a religião relegada à esfera privada da consciência de cada um. Em 1884, escreve ‘Humanus Genus’ contra a maçonaria e outras sociedades hostis à Igreja, e combatendo o ‘naturalismo’, doutrina que pretende absorver, na natureza e na razão humana, soberanas para todos os problemas humanos, a ordem da Revelação e da Graça. Nessa encíclica, contra os liberais, volta a firmar a doutrina das relações da Igreja com o Estado. No ano seguinte, 1885, aparece a ‘Immortale Dei’, batendo na mesma tecla, e combatendo a nefasta ideia de ‘soberania do povo’, a indiferença religiosa, os falsos conceitos de liberdade, e de um modo geral combatendo o laicismo que pretende desligar toda a vida civil de qualquer referência a Deus e a sua Igreja.


No mesmo ano a grande encíclica ‘Libertas’, sobre a liberdade humana, e sobre os erros do tempo cometidos em nome da liberdade. Mostra que a Igreja é defensora da liberdade e da autoridade, sem as quais não pode o homem viver dignamente. Ataca frontalmente o liberalismo: o radical, que rechaça o senhorio de Deus sobre o homem e sobre a sociedade, relativiza a divisão do bem e mal, deixando a cada um o direito de demarcar, entre o honesto e o torpe, segundo seus gostos ou costumes do seu meio; o mitigado, que não chega a tão ‘aterradoras opiniões’ mas tende para elas, e mesmo o moderado, que cedo ou tarde abrirá o campo do erro inicial. Ataca em seguida a falsa liberdade de religião, que é uma maneira de dizer que todas são falsas, a falsa liberdade de falar e de escrever, a falsa liberdade de ensinar, contrapondo a esses conceitos os da verdadeira liberdade. Cinco anos mais tarde, 1890, temos ‘Sapientiae Christianae’ voltando ao erro do naturalismo e do laicismo, e lembrando os deveres e obrigações dos cristãos.


Finalmente, em 15 de maio de 1891, publica Leão XIII a primeira encíclica sobre a chamada questão social: 'Rerum Novarum', onde começa por mostrar que o 'socialismo' traz uma falsa solução para o grande problema do estado e condição dos operários. Mostra em 1891 o que só hoje se tornou patente: 'o socialismo piora a condição dos operários', ou traz, como disse Marcel de Corte, um amor pelo homem abstrato que esconde o mais cruel ódio pelo homem de carne e osso que a história já registrou. Leão XIII defende a doutrina firmada da legitimidade e da necessidade da propriedade privada, e desdobra um ensinamento para a integração do operário na empresa. Começa a Ação Social da Igreja, continuada mais tarde, e acompanhada e vigiada de perto pelas grandes condenações de Pio X, Pio XI, Pio XII, João XXIII e Paulo VI.”


(Gustavo Corção, "Dois amores - duas cidades")


quarta-feira, 19 de outubro de 2022

É JAIR OU... JÁ ERA!

Um católico bem formado sabe muito bem em quem votar nestas eleições.

Existe um ramo da teologia chamado teologia moral. Seguindo os postulados da teologia moral, corroborados explicitamente por inúmeros Papas, com suas inúmeras condenações ao aborto, à ideologia de gênero e ao socialismo, fica claro que pode caracterizar até pecado mortal votar no candidato do PT, com a consequente impossibilidade de comungar. O pior cego é o que não quer enxergar. O pior pecador é o que não quer se emendar.

Estamos num momento gravíssimo da nossa nação, da América Latina e do mundo. O Brasil tem condições, com Jair Bolsonaro, de impedir o avanço da esquerda na América Latina e no mundo. Vivemos um momento decisivo, em que podemos fazer fincarem raízes os valores cristãos na nossa pátria e no mundo ou deixar que a apostasia tome conta do nosso continente já tão machucado e sofrido.

Acompanhem o Padre Paulo Ricardo, o Prof. Felipe Aquino, o Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz e os outros tantos bons formadores de opinião católicos do nosso país. Não é momento de achismos. Não podemos ser alienados, ignorar a realidade e o perigo irreversível que nos ronda. Temos de ouvir o conselho dos mais sábios, dos que conhecem mais profundamente a doutrina da Igreja e que possuem maior domínio do Magistério e da teologia moral.

Nossa Senhora do Rosário e São Pedro de Alcântara, nosso padroeiro, defendam o Brasil da praga satânica do socialismo! Que na Terra de Santa Cruz o socialismo seja completamente exorcizado.

Assim seja.


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

CORÇÃO NA VIDE EDITORIAL

Caros amigos,

Há excelentes descontos para as obras do Gustavo Corção na Vide Editorial por ocasião da Black Friday. Aproveitem a oportunidade! Há inclusive um kit Gustavo Corção com 9 das suas mais importantes obras.

Confiram:

Gustavo Corção (videeditorial.com.br)


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

MÊS DO ROSÁRIO

Amigo leitor, como você pode ver, fiquei bastante tempo ausente deste blog. Para minha felicidade, porém, vejo que ele continua sendo visitado, com boa frequência.

Estamos no mês do rosário. É um mês de trinta e três dias, que começa em 1.º de outubro e termina em 2 de novembro, no dia de finados. O mês do rosário foi instituído pelo Papa Leão XIII, o chamado Papa do Rosário, pois a essa esplêndida devoção ele dedicou várias encíclicas, além de outros documentos pontifícios. Salvo engano, tal instituição foi feita na Encíclica "Supremi Apostolatus Officio", originalmente para aquele ano de 1883 e depois estendida para todos os outros. Em São João del-Rei, na Igreja do Rosário, conserva-se a vivência do mês do rosário, tal como instituiu e desejou o Papa Leão XIII, com a récita diária do terço, diante do Santíssimo exposto, seguida da ladainha lauretana, da oração a São José e da bênção do Santíssimo. Sempre que posso vou a Tiradentes durante uma semana em outubro e participo das orações do mês do rosário em São João del-Rei, que é muito próxima e muito fácil de ir. A missa é sempre às 18h, sendo o terço às 18:30h.

No mês do rosário, renovo também minha consagração a Nossa Senhora pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort. Eu a fiz no dia 2 de novembro de 2011, há dez anos, pensando em Nossa Senhora do Rosário e nas almas do purgatório. Mais do que consagrar-me numa festa específica de Nossa Senhora, na festa de Nossa Senhora do Rosário no dia 7, o que me parecia pouco, quis preparar-me, pensar nela e consagrar-me em todos os 33 dias desse mês, como se todos eles fossem o dia 7, da gloriosa Virgem da Vitória da Batalha de Lepanto. O mês do rosário combina muito bem com a consagração. Vejamos.

A primeira parte da consagração é composta de doze dias preliminares, em que se renuncia ao espírito do mundo, pede-se o desapego das criaturas, a contrição e o perdão dos pecados, o conhecimento de si mesmo e a humildade. É estimulante que o décimo segundo dia coincida com a festa de Nossa Senhora Aparecida, como que para bem demarcar o término da primeira etapa.

Os exercícios de São Luís Maria podem ser feitos em 30 dias ou em 33. Após os doze dias preliminares, há três semanas preparatórias, de 6 dias ou de 7 dias. Parece-me mais adequado realizar os exercícios em 33 dias e observar semanas de 7. O objetivo da consagração não é chegar à plenitude da idade de Jesus Cristo? Não é formar outro Cristo em Maria? Não é esse também o objetivo do rosário? Notemos que o mês do rosário contém exatamente 33 dias, correspondendo ao número de anos que se acreditam ser os da vida de Cristo. No rosário, meditamos os mistérios principais da vida de Cristo, para nos conformarmos a ele. É belo que o mês consagrado a tão sublime devoção faça referência aos anos da vida de Cristo, já que no rosário medita-se exatamente a vida do Salvador.

É verdade que abalizados estudiosos entendem que Cristo viveu 36 anos ou um pouco mais, como assinala a Bíblia de Jerusalém nas notas aos primeiros capítulos do Evangelho de São Lucas. No caso, porém, a precisão histórica não importa. O número 33 acabou tornando-se realmente sagrado, símbolo da vida de Cristo na terra. Mais vale uma verdade ou símbolo espiritual do que a meticulosa precisão histórica.

Quando da minha consagração a Nossa Senhora, optei por não usar correntinhas ou cadeiazinhas, que considero chamativas e indiscretas. Optei pelo escapulário, mais discreto e que é o sacramental mais vivamente recomendado pelos Papas e, mesmo, pela Irmã Lúcia de Fátima, como indissociavelmente ligado ao rosário e à mensagem de Fátima. O escapulário do Carmo é um sinal de consagração à Mãe de Deus.

Além disso, tanto o terço, oração indulgenciada, como o escapulário, ao qual se atribuem os privilégios da perseverança final e o sabatino, estão ligados às almas do purgatório, com o que me parece providencial que o mês do rosário se conclua no dia de finados, já que o terço costuma terminar com as orações pelo Santo Padre, para lucrarem-se as indulgências, mencionadas, aliás, desde o oferecimento da oração. Costuma-se dizer ainda que é Nossa Senhora do Carmo quem retira as almas do purgatório, consumada a expiação. Tanto isso é verdade que nossa Igreja do Carmo de Belo Horizonte possui um belíssimo vitral, na entrada que dá para a avenida, em que a Virgem do Carmo retira as almas das chamas do purgatório.

Que me perdoem os santos e os doutos, como o próprio São Luís Maria e o Pe. Luiz Carlos Lodi! Não gosto da denominação: "o escravo de Jesus em Maria", que considero longa e escrupulosa. Prefiro a designação mais simples e direta: "escravo de Maria". Deixemos os escrúpulos para os escrupulosos!

Se se trata de questão de gosto pessoal, prefiro também, por razões de estilo, o nome que escolheu Teresa de Cepeda y Ahumada, "Teresa de Jesus", a "Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face".

Vivesse eu bem a minha consagração, diria, pura e simplesmente: "Paul, escravo de Maria".

Viva o mês do rosário!


Paul Medeiros Krause

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

MEMÓRIA DE SANTO AMBRÓSIO

Santo Ambrósio


 Às portas da Imaculada Conceição, a Igreja faz memória de Santo Ambrósio, o grande bispo de Milão, doutor da Igreja, que colaborou na conversão e batizou Santo Agostinho e seu filho Adeodato, numa Vigília Pascal.

"Olha para os sepulcros dos homens e vê o que restará de ti, senão cinza e ossos, isto é, de teu corpo; olha, repito, e diz para mim quem aí é o rico e o pobre. Separa os pobres dos ricos. Todos nós nascemos nus e nus morremos. Não há nenhuma diferença entre os cadáveres dos mortos, a não ser talvez que os corpos dos ricos fedem mais, inchados pela comilança." (Santo Ambrósio, "Examerão").